FoMO - a fobia do século XXI

FoMO - a fobia do século XXI

Paula Sá
2018-06-18
O Dicionário de Oxford define FoMO como “uma ansiedade gerada pela possibilidade de um evento emocionante ou interessante estar a acontecer em outros lugares, muitas vezes despertada por mensagens vistas nas redes sociais.”

O que é?

FoMO, sigla de Fear of Missing Out, traduzido em português como “medo de ficar de fora”, é um termo que – provavelmente - pode ser utilizado para si ou outra(s) pessoa(s) que conheça. Segundo o Departamento de Psicologia de ESSEX, 75% dos adultos já passaram ou passam por este problema comportamental.


O FoMO retrata todos os indivíduos dependentes das redes sociais, que querem estar presentes “em todo o lado” e que usam como maior aliada a tecnologia, não conseguindo largar o telemóvel ou qualquer outro dispositivo que os mantenha conectados ao mundo virtual.


Sinais 

- Atualizar as redes sociais de forma compulsiva, utilizando a velha máxima de que “se não está no Facebook, não aconteceu”.

- Atualizar o feed de notícias quase de forma involuntária, como se se tratasse de um tique nervoso.

- Dormir com o telemóvel por perto.

- Ao acordar de manhã, ir logo atualizar as redes sociais, mesmo que tenha sido esta a última coisa que se fez antes de dormir.

- Sentir medo em ficar desatualizado sobre o mundo ou sobre os posts dos seus amigos.

- Sentir uma necessidade de estar presente em todo o lado (ex: quando uma marca filma em direto um concerto onde não pode estar presencialmente, e não consegue desligar-se da transmissão; sentir-se ansioso porque os seus amigos estão no evento ao qual não conseguiu comparecer).



Consequências


Ansiedade

Imagine que fica sem bateria ou que – nos piores dos cenários – deixa cair o seu telemóvel e este deixa de funcionar. Irá, de certo, experimentar uma sensação de ansiedade e frustração muito grande. A sua necessidade de estar presente online e de ver tudo a acontecer no momento terá sempre de ser preenchida e, caso contrário, sentirá que está a perder algo importante ou sentir-se-á desatualizado, com se o mundo estivesse a correr sem si.



Irritação

Sejamos sinceros, é impossível estar em todo o lado ao mesmo tempo. Deste modo, o seu desejo de ser omnipresente nunca será concretizado. As pessoas que sofrem de FoMO irritam-se facilmente porque não conseguem ir a todos os lugares, comprar todos os novos produtos ou fotografar todos os momentos. Então, sentem-se impotentes.



Indecisão

O ser humano não está preparado para a quantidade de informação que recebe. E quem não se consegue desligar do mundo virtual, recebe uma quantidade de ofertas de novos produtos, novas marcas, novos serviços, novas apps, reviews, vídeos de opinião, inúmeros passatempos, entre outras coisas, a cada minuto. Parece bom, certo? Mas não é. Com tanta informação, é difícil saber por qual creme optar, qual cidade visitar ou que cor escolher.



Não conseguir dormir

Quem sofre de FoMO, sofre de FoMO até a dormir. O hábito de levar o telemóvel para a cama e conferir tudo o que é publicado nas redes sociais leva a dificuldades em adormecer e outras perturbações do sono.



Isolamento social

Quando se começa a viver dentro do mundo virtual, é fácil esquecer de viver a vida real. O foco são os novos posts, likes e comentários e há uma tendência para esquecer a convivência humana, com pessoas e atividades fora das redes sociais.



Perder o interesse em outras atividades

Visitar as diversas redes sociais passa a ser a única atividade, para quem tem FoMO. Alimenta-se a curiosidade com atualizações do mundo e das pessoas que se seguem atentamente e parece não haver tempo para outro tipo de atividades como passear na rua, ir ao shopping, visitar um museu ou jantar entre amigos.



Problemas de visão e coluna

O hábito de olhar para os diferentes dispositivos (telemóveis, tablets, portáteis) pode trazer-nos problemas de postura porque geralmente estamos curvados, a olhar para baixo. A nossa visão também pode ser afetada seriamente a longo prazo, pela proximidade com que olhamos diretamente para os diferentes gadjets.



Como se pode controlar?


Procure ajuda profissional.

A verdade é que a necessidade de aceitação num mundo virtual pode indicar problemas anteriores, tais como:

a) baixa auto-estima

b) necessidade de ser aceite

c) confusão e crises de identidade

d) insegurança

e) procura de respostas



Logo, para resolver um problema de FoMO, deverá falar com um especialista (psicólogo ou psiquiatra, dependendo da gravidade de cada caso) que o pode ajudar a resolver alguns problemas interiores e a encontrar uma forma mais saudável de comunicar e de saber escolher aquilo que realmente interessa.



Experimente o mindfulness.

O mindfulness é uma técnica de meditação que o ajuda a centrar-se em si e aos que o rodeiam, de uma forma natural e tranquilizante. Irá ajudá-lo a estar presente no momento, mas de uma forma positiva: com as atenções viradas para si mesmo, para se encontrar, sem precisar de estar a atualizar as suas redes sociais de forma sistemática e pouco saudável.




Pequenas dicas

- Obrigue-se a ficar longe do seu telemóvel ou computador.

- Deixe o telemóvel no carro ou em casa, sempre que for jantar com amigos.

- NUNCA leve o telemóvel para a cama.

- Faça um compromisso consigo mesmo: publique nas redes sociais apenas o necessário.

- Contabilize as horas que passa nas redes sociais - passe mais tempo a conversar com os seus amigos e familiares.

- E, por último, aprenda a selecionar.



Não nos interprete mal. Nem toda a gente que usa frequentemente as redes sociais sofre de FoMO. Depende do motivo pelo qual o fazemos. Se for por uma questão de aceitação ou se sentir que não controla a visita às suas redes sociais, então poderá estar diante um problema grave.

A diferença entre o uso saudável e o abusivo está na seleção da informação. É perigoso sermos bombardeados com conteúdos, se não soubermos selecionar o que gostamos, aquilo em que acreditamos ou aquilo que realmente nos interessa. Também precisamos de acreditar (porque é mesmo verdade!) que o facto de não estarmos online não significa que não estamos vivos ou atualizados. Não temos (nem devemos) estar a receber/processar informação constantemente. Devemos dar espaço ao nosso cérebro e diversificar as nossas atividades para sermos realmente ricos espiritualmente. Não é por acaso que cada vez mais se ouve falar em casos de depressão em figuras conhecidas nas redes sociais. A necessidade de estar sempre presente, de agradar, de ter likes e/ou de receber comentários positivos pode tornar-se um caminho destrutível.